Tuesday, August 07, 2012

Quem Ama Educa




Dois livros publicados recentemente geraram muita polemica: “Tiger Mom” da Amy
Chua e, do outro lado do espectro: “Bring up Bebe” da Pamela Druckerman.

Cada livro fala da approach da mae chinesa e da mae francesa em criar seus filhos e, no segundo caso, constrastando com as maes americanas.

Sei que ha perigo nas generalizacoes feitas em cada caso. De um modo geral, acredito que haja vantagens e desvantagens nos modos de educar de cada pais. Por exemplo, aprecio a disciplina chinesa, mas condeno a tortura a que essas criancas sao submetidas (i.e. o tal castigo de sentar no piano ate acertar nas notas). Acho que as maes francesas ensinam as criancas a se comportarem socialmente desde cedo, mas por outro lado sao um pouco egoistas. Enquanto que as americanas se preocupam em fazer atividades com as criancas, mas pecam pelo excesso de “praising” e total falta de limites.

Cada uma faz o que pensa ser certo para o seu filho, nao sou diferente. Erro e acerto diariamente, sou longe de perfeita. Ha uma porcao de mae chinesa, francesa, americana e brasileira em mim que tenta acertar focando no futuro e procurando ver o impacto que a disciplina que imponho hoje tera na vida da minha filha quando adulta.

Por exemplo, procuro ensinar disciplina, responsabilidade e commitment no que a minha filha faz, minha porcao Tiger Mom. Lembro-me de ter conversado com ela durante o torneio de futebol quando ela estava meio disciplicente falando que ela tinha que terminar o que a gente se propoe a fazer. O desempenho dela depois de nossa conversa mudou completamente e a vi de novo vibrando, correndo atras da bola com vontade. Entretanto, jamais iria forcar ela e praticar esporte a, b ou c ou tocar instrumento musical a, b ou c. Dou as opcoes para ela experimentar de tudo e no futuro ter poder de escolher o caminho dela.

Aplaudo o envolvimento das maes americanas na educacao do seus filhos. Acredito em mae presente que faz atividades com seus filhos, leem a noite e brincam com eles no lugar de lhes entregar a babas 24/7, como vejo alguns casos no Brasil. Mas isso nao quer dizer que vou estar deixar de viver ou ter o meu “me time”. Acho que porque os pais sao tao presentes aqui terminam por cobrar muito dos filhos no futuro e terminam por ficar sobrecarregados e impacientes porque nao procuram ter um tempo para si.

Ja a mae brasileira (e francesa) em mim me forcou a ensinar a Bianca a se comportar socialmente desde cedo, a ter bons modos e saber que nao eh  o centro do universo. E ainda que limites existem por um motivo. Isso para mim eh uma missao, ate porque sou mae de filha unica.

Acredito que “Nao” eh necessario e nao traz trauma a crianca nenhuma. Dificil eh ensinar bons modos e estabelecer limites rotineiramente e facil deixar eles fazerem tudo que desejam e se comportarem como selvagens dentro e fora de casa sob o argumento que “sao criancas” ou que “they are experimenting” , como escutei de uma vizinha sobre o filho de 3 anos que quebrou uma TV plasma a cotoveladas. Ja outra mae de uma crianca da escolinha da Bianca me contou final de semana passado com a maior naturalidade que a filha teria rasgado o papel de parede do proprio quarto porque decidiu que era muito infantil e a mae concordou e ate ajudou a tirar o resto! Ou mesmo outra que enche as portas e vidros do carro da mae de adesivos.
Trauma tera a crianca que nao tem limites e acha que vai sempre conseguir o que quer na vida e nunca ser repreendida se comportando do jeito que deseja, porque assim foi em casa desde cedo. Nao desejo ser a mae estrita que a foi a minha mae que so procurou acertar, mas tampouco sou a ex-vizinha que deixa os filhos "experimentarem". Assim, me sinto uma E.T. quando recebo criancas na minha casa e vejo elas aprontando o que jamais permitiria Bianca  fazer em casa e muito menos na casa dos outros. E sobretudo quando vejo a total falta de controle que a grande maioria dos pais daqui tem sobre os filhos. Isso nao eh amor, eh conveniencia. Quem ama educa...

No comments: