Monday, September 24, 2007


A vida como ela é…

Já vi coisas lindas sobre ser mãe, mas há sim um lado negro que as pessoas até bem pouco tempo (antes dos orkuts e blogs da vida) silenciavam a respeito.

No ínicio, tudo é festa. E você acredita piamente que a fase de lua-de-mel com a maternidade e com o que ela lhe proporciona nunca vai acabar. O mundo parece que parou só para você e seu bebê. Esta fase vai até você voltar a sua rotina.

Depois de sucessivas noites maldormidas, dias de incontáveis travessuras e birras e correrias sem fim, não há quem secretamente por um segundo tenha desejado: posso pedir demissão do meu posto de mãe?! Posso ter a minha vida de volta como conhecia só por 1 diazinho? Depois desse 1 segundo de pecado maternal, lá vem aquele sentimento do qual já devotei um tópico inteiro e do qual jamais nos livraremos: a culpa!

A primeira vez que tive uma demonstração da avassaladora consequência da maternidade foi num simples fim-de-semana em Pawleys Island para o casamento de uma amiga. Pois bem, Bianca tinha então 2 meses e se comportava como uma lady. Ainda assim, acabou aquele ritual de perambular pela recepção em busca do melhor lugar para sentar, das melhores pessoas com quem conversar. E a perigrinacão para as melhores comidinhas quentinhas de casamento ou aqueles doces da Arábia já não tinha mais espaço. Me contentei em comer grits frio, e refrigerante choco que ficaram horas na mesa antes de eu experimentar, ainda assim porque Carlos e uma amiga trouxeram para mim! O mais importante ali era cuidar da minha pimpolha e faze-la feliz naquele todo novo acontecimento para ela. No final ela adormeceu com a banda tocando no pé do ouvido dela.

A segunda vez foi quando fomos a praia. Pensei nas últimas férias que tiramos na praia em Turks & Caicos, onde dormiámos, comíamos e mergulhávamos e ficavamos horas a fio na praia. Férias=dormir, certo?! Estávamos lá eu e a Miss B andando pela praia em plena 7 horas da manhã todos os dias das tão sonhadas férias. E com o stress adicional de por ela no avião pela 1ª vez (e olhe que ela se comportou!) e tudo mais, confesso que voltei mais cansada do que fui.

E depois que você volta a rotina a sua lista de desejos vira uma coisa basal: seria tão bom: terminar uma refeição sem pressa...dormir uma noite inteira...ir às compras sem horas para voltare e experimentar a metade da loja...fazer supermercado sem lista percorrendo todas as seccoes.

Hoje me pergunto seriamente como as pessoas de antigamente lidavam com 8-9 filhos, sem day-care e sem a menor ajuda do marido? Tudo bem que algumas sortudas contavam com as amas, mas isso não era para todo mundo. Será que as crianças de antigamente eram mais fáceis ou as mães mais eficientes e compreensivas? E aí todo aquele sentimento que temos que somos a melhor mãe do mundo se transforma em “será que somos a madastra de Branca de Neve”?

Não, hoje chego a conclusão de que somos simplesmente humanas. Isso tudo faz parte da dicotomia da maternidade. Queremos ser a melhor mãe do mundo, a grande esposa, a mais capacitada profissional, a mulher mais linda, bem cuidada e admirada que tem a casa mais arrumada, limpa e organizada da vizinhança, tudo ao mesmo tempo. E quando alguma dessas coisas não acontece, é quando a frustação aparece.

Com tudo isso não jamais me passou pela cabeça não ter tido a Bianca e vou mais longe, já sinto saudades de bebê chutando, de um bebezinho pequeninho, enrugadinho, da minha fofolete, o que me dá vontade de ter mais um! Será que sobra tempo? Será que tem lugar no meu coração para mais um, já que o que sinto me preenche e vaza?

P.S: Quem lê assim se horroriza com esse meu primeiro posting com um quê de pessimismo, mas dêem um descontinho, tive uma noite mal-dormida, a casa tá cheia e é segunda-feira!



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